Manuel
Castells é um dos notáveis no assunto sobre rede e o interacionismo que a
internet proporciona para as pessoas, no que tange o seu debate. Sociólogo
espanhol e que lecionou na Universidade de Paris entre 1967 e 1979, seu nome é comumente lembrado
nos estudos do gênero, assim como Pierre Levy em Cibercultura. É uma dobradinha
difícil de dissociar. Sua vida é ligada à academia e em 1979 Foi nomeado em 1979 professor de Sociologia e Planejamento Regional na Universidade de Berkeley, Califórnia. Em 2001, acabou se tronando pesquisador da Universidade Aberta da Catalunha em Barcelona. Em meados de 2003, foi para a Universidade da Califórnia do Sul, a partir daí como professor de Comunicação.
No livro
‘Galáxia da internet’, Castells em seu segundo capítulo, o autor constrói seu
pensamento acerca da cultura que está inserida na internet. E ela é proveniente
de agentes que tanto produzem como são receptores de conteúdos e informação.
Aqui chamados de Produtores/usuários e Consumidores/usuários.
Ainda nesse pensamento é interessante destacar as diferenças desses públicos,
segundo o autor. Castells atribui aos Produtores as características de
responsabilidade de gerar conteúdos e manter a rede de informações atualizadas.
Enquanto os Consumidores “digerem” toda a produção idealizada e retroalimentada
pelo primeiro grupo.
Interessante
notar que a cultura da internet é parte de um todo social organizado e que não
se desprende da ideia de Sociedade que temos. Significando que ele não caminha
só em meio à multidão, mas dialoga com os agentes dessa mesma sociedade em
questão. O que me refiro aqui com base na ideia do autor é que a Cibercultura
não é um processo independente e que se sustenta de maneira isolada, mas ela é
parte de um conjunto de normas de uma sociedade e que seus próprios produtores
habitam e interagem nessa sociedade factual. Estão interligadas e funcionam de
maneira conjunta.
Sendo
assim, a “cultura de internet é a cultura dos criadores de internet”, o que
significa que a Rede é uma ferramenta poderosíssima de difusão de ideias que
podem levar os sujeitos a se comportarem de acordo com tais influências. E
essas influências não são robotizadas e aleatórias, mas possuem sentidos
estabelecidos e organizados dentro de uma determinada cultura.
Castells
pontua 4 características da cultura da internet:
- Cultura Tecnomeritocrática
- Cultura Hacker
- Cultura Comunitária e virtual
- Cultura empreendedora
Essas características se distribuem de maneira hierárquica. E uma não funciona sem outra, são interdependentes. “A cultura tecnomeritocrática se especifica como cultura hacker mediante a geração de normas e costumes nas redes de cooperação em torno de projetos tecnológicos. A cultura comunitária virtual adiciona uma dimensão social a cooperação tecnológica fazendo da internet um meio de interação social seletiva e de pertinência simbólica. A cultura empreendedora funciona sobre a base da cultura hacker e a cultura comunitária para difundir as práticas de internet em todos os âmbitos da sociedade em troca de dinheiro.” (CASTELLS, 2001)
Dentro
dos pontos destacados pelo autor, observa-se que cada um desses âmbitos de
estudos necessitam um do outro. Essa é a ideia de cultura pertencente
simbolicamente a um todo social.
HACKERS
Castells
se utiliza do termo “hackers” para distinguir aqueles usuários que estão ativos
na internet e participam do seu desenvolvimento. Para ele essa tomada de
sentido desses usuários, para uma “cultura tecnomeritocrática” faz com que a
cultura dos hackers se diferenciem das comunidades alternativas que existem por
aí na rede. E da mesma maneira, se não existisse tal cultura juntamente com
valores comunitários, “a cultura empreendedora não poderia se caracterizar como
específica da internet.”
Segundo
Castells os Hackers são mencionados de maneira errônea quando atribuídos ao
grupo de usuários que se dedicam a quebrar os códigos e sigilos de empresas e
de prejudicarem também pessoas físicas que se aglomeram dentro da sociedade de
rede. Os responsáveis por tais comportamentos são chamados de Crackers. Enquanto
hackers discordam completamente desse tipo de conduta, Castells avalia que os
crackers participam de uma subcultura pertencente aos hackers, mas de um
universo bem mais amplo.
CULTURA
ACADÊMICA DE REDE
O
autor também argumenta que a internet tem um papel de protagonismo para a comunidade
acadêmica e científica. Porque é a partir desse caráter pesquisador e de
excelência que a internet emula (de maneira mais eficaz) o comportamento dos
pesquisadores. Claro que ela o faz porque são os próprios estudiosos que a
concebem para tal fim. Desse modo a internet para a comunidade científica é um
instrumento imprescindível de estudo e avaliação de conteúdos, e também é um
facilitador da própria interação do corpo acadêmico, no momento em que o
diálogo e as discussões podem se dar também de maneira remota. Atribui-se essa
inovação também à rede telefônica, mais um dos exemplos de cultura de rede.
Essa
cultura de rede precisa que os seus componentes se sintam parte dela de maneira
prática, podendo alterar os seus conteúdos, melhorá-los em ampliá-los. De tal
forma os “Códigos de Fonte Abertos” ajudam nesse sentido, para a criação de suportes
de interação no aprimoramento de ferramentas de aplicativos que facilitam a
vida dos usuários. É a cultura envolvendo os seus representantes de maneira
participativa, em um espaço cibernético, remoto, mas inteligível.
EMPREENDEDORES
Dentro desse âmbito de discussão daquilo que está em rede e que forma cadeias de interações o empreendedorismo também participa deste tipo de cultura que falamos.
Os empresários conseguiram enxergar que nessa modalidade de interação, eles poderiam lucrar. A melhor maneira de se alcançar isso seria obtendo o poder de algumas dessas tecnologias. Assumindo esse poder os empresários facilitariam sua forma de abordar pessoas com gostos distintos e oferecem seus produtos e/ou ideias. Pra exemplificar, podemos utilizar o advento do Facebook, ferramenta diária de muitos jovens e adultos que facilitam a interação com pessoas que estão longe. A gama de usuários do Facebook é enorme e assim o empreendedorismo enxerga essa ferramenta com bons olhos, porque consegue identificar em um único "local" vários perfis de consumidores.
Finalizando, “A cultura da internet é uma cultura feita de uma crença tecnocrática no progresso dos seres humanos através da tecnologia, levado a cabo por comunidades de hackers que prosperam na criatividade tecnológica livre e aberta, incrustada em redes virtuais que pretendem reinventar a sociedade, e materializada por empresários movidos a dinheiro nas engrenagens da nova economia.”

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